
CRISTIANE BABINSKI
MULHER DE PODER
Cristiane Babinski, profissional de Educação Física, especialista em Medicina Esportiva, instrutora de karatê, técnica da Seleção Gaúcha Infantil, faixa preta 2º Dan, atleta da Seleção Brasileira, Campeã Estadual, Penta Campeã Brasileira, Tri Campeã Sul Americana e Vice Campeã Mundial de Karatê.
Cristiane Babinski, mulher de poder.
Mulher que se coloca em contraposição ao status quo do lugar onde ela trabalha, ganha prêmios, se dedica. O mundo das artes marciais é moldado pelo viés masculino. Em conversa pra série “Mulher de Poder”, Cris conta como é ser uma mulher dentro desse universo.
Desde pequena o interesse para esportes foi aguçado. Atividades tidas como “femininas” não a despertavam quanto as mais “masculinas”. Coloquei entre aspas porque sempre querem encaixar em um padrão o que podemos ou não fazer, o que é de homem e o que é de mulher. E o que percebemos é que quando uma mulher faz qualquer atividade além do esperado do seu gênero ela precisa provar que é muito boa no que faz para ter legitimidade.
Cris seguiu seu coração e se tornou tudo que está escrito na descrição inicial. E como foi esse processo? Primeiramente ela nunca deixou de ser mulher, de fazer o que gosta, de se vestir como gosta, mas conta que dentro do Karatê as mulheres procuram esconder de alguma forma que são mulheres, como se quisessem se parecer mais com os homens, até fisicamente, escondendo o cabelo comprido. deixando de usar maquiagem, para parecerem mais profissionais. Veja bem como se configura o “ser profissional”: é ser um homem.
Há muito preconceito sobre as mulheres, pois se elas usam um vestido, usam maquiagem, salto, cabelo comprido não podem ser atletas, ou ser exatamente boas no que fazem. A imagem está sempre em primeiro lugar. Em nossa conversa nos lembramos de várias situações em que matérias retrataram o físico das atletas mais do que sua técnica. Quantas vezes vimos a manchete “as mais belas do esporte”? Isso também explica o fato de as atletas, principalmente do Karatê terem vontade de esconder seu corpo feminino.
A Cris luta contra esses estereótipos e usa sua força de instrutora e técnica de crianças para mudar essa concepção. Retrata pra mim que mesmo ela sendo instrutora os alunos ainda continuam se referenciando em nomes de atletas masculinos. Ao que ela leva a reflexão, de que olhem para ela e pensem que ela é apenas uma mulher.
Dentro disso vimos também que atletas homens sempre aparecem muito mais na mídia. Vemos isso não só nas artes marciais, mas no futebol ou em qualquer outra categoria que seja mais destacado por homens. Parece que a mulher no esporte é uma subcategoria, sendo que em muitas vezes elas têm mais técnica ou até conquistaram mais medalhas, prêmios, classificações.
É um desafio ser mulher, se aceitar e seguir dentro de um universo que nem sempre está de braços abertos para nos receber. Porém, a Cris é um exemplo de luta, de garra e de persistência. Que vem ensinando novas gerações de meninas e meninos a quebrarem esses paradigmas há tanto tempo fixados na nossa cultura.
Mulher não tem só o poder de sedução, de beleza, de sentimentos. Mulher não é apenas o sexo frágil. Mulher pode ser poderosa e campeã de karatê ou do que ela quiser.
Cristiane é mulher de poder.
